Nova era da influência: credibilidade técnica supera milhões de seguidores
Estudo revela que 42% das vozes mais influentes do mercado brasileiro são lideranças corporativas. Para Rodrigo Villaça, autoridade e conhecimento ganham protagonismo na construção da reputação empresarial.
Ter milhões de seguidores já não é sinônimo de influência no mundo dos negócios. A credibilidade técnica, a experiência profissional e a capacidade de produzir conteúdo relevante passaram a ocupar um espaço estratégico na construção da reputação de executivos e empresas.
É o que revela o estudo Pulso 2026/2027 – Influência Digital e Liderança, desenvolvido pela DECK em parceria com a Nexus, empresas da FSB Holding. O levantamento analisou dois mil nomes e identificou as 630 vozes mais influentes de 21 setores estratégicos da economia brasileira.
Entre os principais resultados, um dado chama a atenção: 42% das vozes com maior capacidade de influenciar decisões e tendências são executivos da alta liderança. Os demais 58% incluem especialistas e criadores de conteúdo.
Para Rodrigo Otaviano Villaça, fundador da Brazil on Rails, presidente da RV Conecta, presidente do LIDE Transportes e conselheiro do Coinfra da Fiesp, o resultado evidencia uma transformação na maneira como o mercado reconhece suas referências.
“Influência não se mede apenas pelo número de seguidores, mas pela capacidade de transmitir conhecimento, construir confiança e contribuir para decisões importantes. O mercado valoriza cada vez mais quem conhece profundamente o setor em que atua e apresenta soluções concretas”, afirma Villaça.
O estudo também identifica o avanço do chamado executive advocacy, movimento em que líderes empresariais assumem protagonismo na comunicação, compartilham experiências e fortalecem a reputação das organizações que representam.
Outro aspecto relevante é a mudança no perfil dos conteúdos que conquistam atenção qualificada. Publicações baseadas em conhecimento técnico, análises de mercado, experiências profissionais e desafios reais dos setores econômicos ganham importância diante de estratégias concentradas exclusivamente em entretenimento e alcance digital.
“Um executivo que compartilha conhecimento e participa dos debates do seu setor amplia sua contribuição para além da própria empresa. A influência ganha valor quando ajuda a desenvolver mercados, aproxima lideranças e transforma experiência em oportunidades”, destaca Rodrigo Villaça.
Reputação acima da popularidade
A pesquisa também aponta que 85% dos perfis corporativos e técnicos analisados apresentam baixa polarização política, priorizando discussões relacionadas às suas áreas de atuação.
Embora o eixo São Paulo-Rio de Janeiro concentre grande parte das lideranças identificadas, o levantamento reconhece o fortalecimento de polos regionais, especialmente no Sul do país, em segmentos como agronegócio, educação e varejo.
Para Villaça, os resultados reforçam a importância de uma comunicação empresarial sustentada por consistência e responsabilidade.
“A reputação é construída ao longo do tempo, com trabalho, resultados e coerência. A presença digital pode ampliar a voz de uma liderança, mas é a credibilidade que sustenta sua influência. Não basta aparecer. É preciso ter algo relevante a acrescentar”, conclui.
Sobre o estudo
O Pulso 2026/2027 reuniu dados coletados entre março e junho de 2026 e avaliou 21 setores da economia brasileira, incluindo logística, transportes relacionados à cadeia produtiva, energia, finanças, saúde, tecnologia, agronegócio e varejo.
A metodologia combinou análise quantitativa, inteligência artificial e curadoria humana, considerando critérios como relevância técnica, engajamento qualificado, reputação, legitimidade institucional e capacidade real de influência.
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